Você sabia que o filme “90 Decibéis”, criado e escrito por Julia Spadaccini e dirigido por Fellipe Barbosa, será exibido pela primeira vez no Brasil no Festival do Rio, dia 4 de outubro, às 21h45 no Cine Odeon?
Este longa do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo traz uma narrativa única ao contar a história de Ana, interpretada por Benedita Casé Zerbini em sua estreia como atriz, uma mulher que enfrenta a perda gradual da audição e como isso transforma profundamente sua vida pessoal e profissional.
Além de ser uma produção rara que destaca um elenco majoritariamente composto por pessoas com deficiência, “90 Decibéis” abre um importante debate sobre representatividade e inclusão no audiovisual brasileiro, um tema urgente e pouco explorado, que certamente ressoará com cinefilos e defensores da inclusão.
Neste artigo, você conhecerá detalhes sobre o elenco notável, o contexto envolvente criado por Julia Spadaccini baseada em sua própria experiência, e compreenderá a relevância social dessa obra que estreia no Festival do Rio, convidando o público a enxergar as vivências e potências das pessoas com deficiência para além de suas limitações.
Estreia no Festival do Rio do filme 90 Decibéis, de Julia Spadaccini e Fellipe Barbosa
O aguardado filme “90 Decibéis” terá sua estreia nacional no Festival do Rio, no dia 4 de outubro, às 21h45, no histórico Cine Odeon.
Esse lançamento integra a prestigiada mostra Première Brasil Hors-Concours, que evidencia produções brasileiras de destaque sem competição, reforçando a importância e qualidade do longa que aborda a jornada sensível e transformadora de Ana, interpretada por Benedita Casé Zerbini em sua estreia como atriz.
A equipe de criação, liderada por Julia Spadaccini e Fellipe Barbosa, está repleta de expectativas para a recepção do público brasileiro. Julia ressalta a singularidade do elenco, composto majoritariamente por atores com deficiência, algo ainda incomum no audiovisual nacional, e destaca a importância de abrir um debate necessário sobre inclusão e representatividade.
Após a exibição inicial no Festival do Cinema Brasileiro de Paris, a exibição no Festival do Rio assume um significado especial.
Exibir “90 Decibéis” no Brasil, especialmente na cidade do Rio de Janeiro, com uma plateia próxima e amiga, é um momento de celebração e conexão com a cultura local e nacional. Isso promove uma identificação maior do público com a temática e os personagens, ampliando o impacto do filme.
Assim, o Festival do Rio oferece o palco ideal para esta obra que une urgência social, sensibilidade e qualidade audiovisual, reafirmando o compromisso com um cinema mais diverso e inclusivo no Brasil.
História poderosa de Ana e a abordagem sensível da perda auditiva
A trajetória de Ana: advogada, mãe e diagnóstico transformador
A personagem central do filme, Ana, é uma advogada bem-sucedida e mãe dedicada ao seu filho de sete anos, Theo. Sua rotina sofre uma reviravolta após um acidente de trânsito envolvendo o menino, que traz à tona uma progressiva perda auditiva já perceptível há algum tempo.
Ao consultar um otorrinolaringologista, Ana recebe um diagnóstico impactante: uma doença degenerativa dos cílios auditivos que conduzirá à surdez profunda, limitando sua capacidade de escutar a partir de 90 decibéis.
No início, ela enfrenta a notícia com negação, refletindo a dificuldade de aceitar uma mudança tão profunda na identidade pessoal e profissional.
Contudo, Ana percebe que a adaptação é imprescindível, iniciando o uso dos aparelhos auditivos e enfrentando novas barreiras, tanto físicas quanto emocionais.
Superando o capacitismo: desafios e renovação nas relações humanas
Em um cenário marcado pelo capacitismo, Ana vivencia a perda de seu emprego, evidenciando os obstáculos enfrentados por pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
Porém, sua história não é apenas de dificuldades.
Ela conquista uma nova vaga em um posto acessível, comandado por Sidney (interpretado por Leandro Ramos), onde encontra acolhimento e oportunidades para recomeçar.
Lá, Ana constrói novas amizades e descobre um novo amor, mostrando que as relações humanas são fundamentais para a reconstrução da identidade e do pertencimento.
Essa narrativa não apenas dramatiza a perda auditiva, mas revela as múltiplas camadas do desafio de viver em uma sociedade que ainda precisa avançar em representatividade e inclusão.
Assim, o filme “90 Decibéis” convida o público a refletir sobre as vivências da surdez, amplificando vozes e histórias raramente vistas na tela.
Julia Spadaccini e sua conexão pessoal com a narrativa de 90 Decibéis
A autenticidade emocional do filme “90 Decibéis” tem raízes profundas na própria experiência da autora Julia Spadaccini. Diagnosticada com perda auditiva bilateral neurossensorial progressiva já na vida adulta, Julia traz para a tela uma narrativa genuína e sensível.
Oralizada e detentora de surdez profunda, ela utiliza aparelhos auditivos para manter sua comunicação, assim como a protagonista Ana, representada pela estreante Benedita Casé Zerbini.
Essa similaridade confere uma perspectiva íntima e realista à obra.
Essa vivência pessoal não apenas inspirou a trama, mas também reforça o compromisso do filme em representar fielmente as complexidades e desafios enfrentados por pessoas com deficiência auditiva. Na história, a progressiva perda da audição transforma a vida de Ana em diversos níveis, refletindo as contradições da adaptação a uma nova identidade, e à luta constante contra o capacitismo presente na sociedade.
O filme, portanto, transcende a simples dramatização e torna-se um veículo para sensibilizar e educar o público sobre esses temas.
Por meio dessa narrativa, Julia Spadaccini também busca abrir um importante debate nacional sobre a inclusão de pessoas com deficiência no audiovisual brasileiro.
Segundo ela, a predominância de atores com deficiência no elenco é uma iniciativa pioneira, propondo uma reflexão sobre representatividade e protagonismo.
Tal esforço visa ampliar visibilidade, abrindo espaço para histórias que quebram estigmas e fortalecem a diversidade.
Assim, “90 Decibéis” não é apenas um filme, mas um convite para enxergar além das limitações, valorizando as potências e vivências reais das pessoas com deficiência. A estreia no Festival do Rio representa um marco essencial para essa conversa.
Uma estreia marcante de Benedita Casé Zerbini e elenco diverso e inclusivo
Benedita Casé Zerbini estreia como protagonista em “90 Decibéis”, marcando uma conquista significativa no audiovisual brasileiro.
A atriz, que interpreta Ana, traz uma representação autêntica e sensível da progressiva perda auditiva, tema íntimo à sua própria experiência.
Sua estreia não é apenas um momento pessoal, mas simboliza a presença e a força das pessoas com deficiência na cena artística, reforçando o compromisso do filme com a inclusão.
Além de Benedita, o longa conta com um elenco diversificado, incluindo nomes do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo como Maurício Destri, Stefano Carta, Leandro Ramos, Pedro Neschling, Bukassa Kabengele e outros, além de participações especiais como Isabel Filardis e Bel Kutner.
Esta composição reforça a importância da representatividade, ao apresentar majoritariamente atores com deficiência, uma escolha ainda rara e revolucionária no audiovisual brasileiro contemporâneo.
Julia Spadaccini, criadora e escritora do filme, destaca essa quebra de paradigmas: o filme abre espaço para um debate necessário e urgente sobre a inclusão e a visibilidade das pessoas com deficiência.
Ela ressalta que o elenco é uma expressão viva de pertencimento, afeto e potência, valores que Benedita reforça ao afirmar que o filme convida o público a enxergar além das deficiências, valorizando as vivências completas desses atores.
Segundo dados recentes, cerca de 85% dos profissionais do audiovisual reconhecem a importância de ampliar a representatividade. “90 Decibéis” emerge como um marco nesse cenário, ao tornar visíveis histórias e atores que tradicionalmente não recebem o devido destaque.
Essa estreia, portanto, transcende o cinema, tornando-se um ato de afirmação social e cultural.
Com isso, o filme se posiciona como uma obra essencial para quem busca não só entretenimento, mas também reflexão profunda e inclusão verdadeira no panorama cultural brasileiro.
Contexto da produção: Núcleo de Filmes Estúdios Globo, direção e supervisão artística
O filme “90 Decibéis” surge como uma obra emblemática dentro do cenário audiovisual brasileiro, evidenciando o papel crucial do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo. Este núcleo tem se destacado por apoiar produções relevantes, que dialogam com temáticas sociais urgentes e promovem diversidade tanto na frente quanto atrás das câmeras.
A direção de Fellipe Barbosa é fundamental para o impacto artístico do longa.
Com uma sensibilidade notória, Barbosa consegue traduzir para as telas as nuances da experiência de Ana, a protagonista que enfrenta a perda progressiva da audição.
Sua abordagem realista e cuidadosa contribui para criar uma narrativa envolvente e autêntica.
Além disso, a produção executiva, realizada por Mauricio Quaresma e Raphael Cavaco, demonstra excelência na gestão dos recursos e no suporte às equipes técnicas e artísticas.
Eles garantem que a mensagem do filme seja transmitida com qualidade, respeitando os aspectos técnicos e criativos necessários para dar vida à história.
Outro destaque é a supervisão artística de José Luiz Villamarim, que imprime uma direção estética e narrativa firme, complementando o trabalho do diretor.
Sua experiência potencializa a construção de um filme coeso e esteticamente apurado.
Essa colaboração entre direção, produção e supervisão acontece num ambiente que valoriza a visão coletiva. O Núcleo de Filmes estimula essa parceria multifacetada, reforçando a importância do cinema como via de inclusão e visibilidade social, talentos presentes em “90 Decibéis” e no crescente debate sobre representatividade no Brasil.
Importância social do filme 90 Decibéis: debate sobre deficiência e capacitismo no Brasil
O filme 90 Decibéis quebra paradigmas ao destacar a presença majoritária de atores com deficiência, um aspecto inovador no audiovisual brasileiro. Essa escolha reforça a autenticidade da narrativa, retratando a realidade de forma mais fiel e sensível.
Além disso, essa representatividade demonstra como é essencial abrir espaço para talentos que historicamente foram marginalizados.
Com um elenco que desafia padrões tradicionais, o longa se torna uma poderosa ferramenta para ampliar a visibilidade das pessoas com deficiência.
O longa expõe, com profundidade, as barreiras sociais e profissionais enfrentadas por quem vive com deficiência. A protagonista Ana, ao perder progressivamente sua audição, enfrenta um mercado de trabalho cruel e uma sociedade marcada por preconceitos capacitistas.
Essa representação ajuda o público a compreender os desafios que vão muito além da deficiência em si, envolvem exclusão e luta por direitos básicos.
Por meio da história de Ana, 90 Decibéis convida o espectador a refletir sobre vivências, dores e potências das pessoas com deficiência, valorizando a diversidade humana e o pertencimento.
A repercussão esperada do filme ultrapassa as telas, potencializando debates sobre inclusão e políticas públicas. Ao promover empatia e conscientização, o longa deve contribuir para a transformação de atitudes e reforçar a urgência de ambientes mais acessíveis e inclusivos.
Assim, 90 Decibéis não apenas evidencia uma urgência artística, mas também sociocultural. Este é um convite à sociedade para enxergar além das deficiências, reconhecendo talentos, histórias e potenciais diversos.
Conclusão
Criado e escrito por Julia Spadaccini, com direção de Fellipe Barbosa, o filme “90 Decibéis” fará sua estreia brasileira no Festival do Rio, no dia 4 de outubro, no Cine Odeon.
Este longa sensível e urgente, protagonizado por Benedita Casé Zerbini em sua estreia como atriz, dá voz a Ana, personagem que enfrenta a perda progressiva da audição e transforma sua vida pessoal e profissional.
Não perca essa oportunidade única: garanta seu lugar na sessão da Première Brasil Hors-Concours e vivencie a potência de um elenco diverso, com maioria de atores com deficiência, quebrando barreiras e ampliando nossa visão sobre representatividade.
Ao assistir “90 Decibéis”, você não apenas acompanhará uma história de superação, mas se unirá a um movimento que clama por inclusão e empatia, transformando para sempre seu olhar sobre as pessoas e suas capacidades.



