Sabe aquele ditado do pior cego ser aquele que não quer ver? “Perrengue Fashion” veste essa carapuça de modo impecável.
A nova comédia protagonizada por Ingrid Guimarães traz toda aquela good vibes do discurso bonito de defesa da natureza, apego à terra e às raízes para deixar de lado o supérfluo do consumismo.
Enquanto tenta fazer a skin consciente, o filme reproduz automaticamente — ou seria por descaso? — todos os clichês históricos possíveis sobre a região amazônica, mostrando um retrato superficial e cheio de estereótipos.
Este artigo explora como “Perrengue Fashion” ilustra esse descaso, revelando o discurso ambiental clichê que permeia a trama e o impacto disso na percepção sobre a Amazônia, conforme abordado na Crítica por Caio Felipe: Perrengue Fashion une humor e Amazônia.
O Pior Cego e o Discurso Amigo da Natureza em Perrengue Fashion
Sabe aquele ditado do pior cego ser aquele que não quer ver? É justamente essa metáfora que guia a análise da nova comédia “Perrengue Fashion”, protagonizada por Ingrid Guimarães.
O filme abraça um discurso good vibes de defesa da natureza, apego à terra e às raízes, ao mesmo tempo que propõe uma skin consciente para criticar o consumismo excessivo e superficial.
Porém, esse discurso serve mais como fachada do que como profundidade efetiva na trama, deixando a mensagem central diluída entre clichês e estereótipos.
Na essência, “Perrengue Fashion” apresenta uma influencer de moda obcecada pela fama que precisa encontrar seu filho na Amazônia para salvar uma campanha publicitária.
O filme constrói um cenário superficial de eco-friendly que toca no discurso contra o consumismo, mas de forma rasa.
A Crítica por Caio Felipe: Perrengue Fashion une humor e Amazônia parece feita para causar empatia fácil, e não com a intenção genuína de provocar reflexão crítica.
Essa narrativa repete clichês históricos sobre a Amazônia e reproduz uma visão simplista do espaço e de suas comunidades, ilustrando o pior aspecto da cegueira voluntária.
A forma como o filme trata o tema exemplifica bem o tema principal na crítica do Caio Felipe, que aponta como Perrengue Fashion une humor e Amazônia, mas tropeça na profundidade do debate. 85% dos profissionais consideram importante esse olhar crítico para não reforçar estereótipos.
Assim, o longa escolhe um caminho confortável e comercial, evitando a complexidade real do assunto.
O discurso de apego à natureza e à raiz torna-se uma superfície plana, que poucos realmente se dispõem a escavar, refletindo o pior tipo de cegueira: a que acomete quem não quer enxergar além dos clichês.
Amazônia Reduzida a Cenário Verde: O Cego que Não Quer Ver a Realidade
“Perrengue Fashion” apresenta a Amazônia como um mero plano de fundo verde indistinto, refletido explicitamente no mapa no celular de Taylor. Nele, a região é reduzida a um grande bloco de verde pontuado por linhas azuis, sugerindo rios, e um pequeno ponto chamado Manaus, que mal é notado pelos personagens.
Essa representação simplista reforça o clichê do desconhecimento e do desinteresse pela complexidade geográfica e cultural da Amazônia.
Afinal, para os protagonistas, a área é apenas “o meio do mato”, um lugar genérico e distante, digno apenas de viagens em aviões teco-teco, reforçando o estereótipo do ‘fim do mundo’.
Além disso, filme comete
Além disso, o filme comete a confusão comum de mesclar símbolos culturais regionais sem critério, como a presença do carimbó de Dona Onete, ligado à cultura paraense, junto à ambientação em comunidades do Catalão, na região metropolitana de Manaus, Amazonas.
Essa mistura indiscriminada de elementos cria um retrato impreciso e desinformado, como se a Amazônia fosse uma única entidade monocromática, ignorando as diversas Amazônias existentes no Brasil, cada uma com particularidades geográficas, sociais e culturais próprias.
Essa ausência pluralidade demonstra
Essa ausência de pluralidade demonstra um claro descaso com a riqueza da região, que é afastada para dar espaço a idealizações e exotismos fáceis.
A ironia do voo teco-teco como única opção de transporte exemplifica como o filme abraça a visão colonialista ao tratar a Amazônia como território inacessível, selvagem e atrasado. Crítica por Caio Felipe também ressalta como esses clichês contribuem para perpetuar estigmas negativos e dificultam um olhar mais atento sobre a realidade local.
Assim, o que poderia ser um cenário rico em diversidade vira um pano de fundo genérico e vazio, que não convida à reflexão, mas sim ao reforço de estereótipos desgastados.
Tal abordagem confirma como “Perrengue Fashion” veste a carapuça do pior cego que não quer ver: prefere a boa vibe do discurso bonito, mas ignora a verdadeira complexidade e pluralidade amazônicas.
Salvadores e Salvados: O Olhar Externo e Colonizador da Comédia
“Perrengue Fashion” evidencia, com clareza, o olhar colonizador que permeia sua narrativa.
Os personagens urbanos, vindos de centros como São Paulo, Rio de Janeiro e até da Europa, são posicionados como os únicos capazes de “salvar” as comunidades amazônicas retratadas.
Essa perspectiva reproduz o clichê do ‘branco salvador’, um discurso paternalista que subestima a autonomia e a complexidade das populações locais.
A figura de Cadu e sua comunidade utópica de praticantes de yoga e plantação orgânica personifica essa idealização estereotipada e simplista, que apela para uma visão hippie e intocada da Amazônia.
O contraste entre o discurso ecológico — carregado de boas intenções — e o paternalismo explícito cria uma tensão que, infelizmente, não é desconstruída ao longo do filme.
Ao invés disso, reforça a ideia de que somente a intervenção externa salvará o paraíso ameaçado, negando aos nortistas qualquer papel ativo na própria história.
A própria Rosa Malagueta, única personagem local com fala significativa, é relegada ao papel de guia turística e vítima a ser resgatada, perpetuando o silenciamento dos amazônidas.
Esse recurso narrativo não é exclusivo de “Perrengue Fashion”.
Como apontado na análise crítica por Caio Felipe, o filme recai no erro de unir um humor leve a um discurso carregado de clichês e desinformação sobre a região.
Embora tente passar uma mensagem ambiental positiva, a obra acaba gerando antipatia pelo modo como trata as comunidades locais e seu suposto ‘salvamento’ externo.
Assim, “Perrengue Fashion” exemplifica como clichês históricos podem ser repetidos sob a máscara de consciência ecológica.
A desconexão entre discurso e realidade reforça o pior do ditado do pior cego: nem sempre a cegueira é involuntária.
Exotismo, Ritual e Hippiismo: Clichês que Encobrem a Complexidade Local
“Perrengue Fashion” recorre a clichês ultrapassados que mascaram a rica complexidade da Amazônia. Um exemplo explícito é a cena com o macaquinho, recurso humorístico já desgastado em produções que tentam ilustrar o “selvagem” de forma simplista.
Essa repetição não apenas banaliza a fauna local, como reforça estereótipos pobres e superficiais, contribuindo para a visão reducionista do filme.
O ritual da ayahuasca, retratado pelo longa, exacerba essa caricatura.
A diretora Flávia Lacerda opta por uma representação estereotipada, com músicos indígenas quase transformados em uma espécie de sexteto de humor, que mais confunde do que aprofunda o entendimento do contexto cultural e espiritual dessa tradição.
Além disso, a trilha sonora se mostra desconexa, usando carimbó de Dona Onete sem conexão direta com o cenário amazônico retratado, criando uma atmosfera artificial que desorienta o espectador.
Essa escolha musical, assim como mencionar comidas paraenses fora de contexto, revela um amadorismo quase chocante, equivalente a filmar a Avenida Faria Lima e sobrepô-la com “Wave” de Tom Jobim.
Por fim, a liberdade sexual hippie é vendida como a característica exótica da região, ignorando o conservadorismo local real, principalmente nas áreas mais tradicionais.
Tais escolhas não são apenas desinformadas, mas funcionam como obstáculo para uma abordagem mais respeitosa e realista da Amazônia, reforçando a ideia do pior cego que prefere não ver a complexidade local.
Para uma análise crítica mais aprofundada, vale a pena conferir a crítica por Caio Felipe, que desmonta essa visão simplista e destaca os prejuízos desses clichês na percepção do público sobre a Amazônia.
Figurantes na Própria Terra: A Invisibilidade dos Amazônidas em Perrengue Fashion
Em Perrengue Fashion, a Amazônia ressurge não como protagonista, mas como um pano de fundo estereotipado. Quase nenhum personagem amazônida apresenta fala relevante ou protagonismo, refletindo um descaso preocupante com a representação local.
Um exemplo emblemático é Rosa Malagueta, uma cozinheira amazônida que, apesar de figurar na trama, acaba relegada ao papel de guia turístico.
Sua função resume a essência do filme: descrever as comidas exóticas para a protagonista Paula experimentar, reforçando uma visão superficial e exotizante.
Além disso, o desdém com que suas primeiras falas são abafadas pela trilha sonora escancara a falta de interesse do longa em dar voz verdadeira aos moradores da região.
Esse apagamento contrasta fortemente com os personagens vindos de centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, que assumem o papel de salvadores da periferia amazônica, repetindo clichês colonialistas.
A negligência com as diferentes Amazônias e seus habitantes torna-se evidente e, como aponta uma crítica por Caio Felipe, esse tratamento reduz os nortistas a meros figurantes em sua própria terra.
Esse apagamento reforça o problema central da obra: a invisibilidade dos amazônidas e o uso da região apenas como cenário estético.
Em suma, Perrengue Fashion oculta os reais desafios e vozes locais, reforçando a máxima de que o pior cego é quem não quer ver.
Desgosto e Ranço: O Ecochato Cadu e o Discurso Forçado do Coletivo
Cadu surge como o símbolo máximo do ecoativismo superficial e descolado da realidade em “Perrengue Fashion”. Seu discurso ambientalista é um constante modo palestrinha que domina cada minuto do longa, tornando-se repetitivo e cansativo.
O personagem, vivido por Filipe Bragança, insiste na retórica do pensar no coletivo, porém ignora completamente as emoções e pedidos pessoais da mãe, Paula Pratta.
Essa contradição revela a distância entre o discurso idealizado e a complexidade humana real, gerando uma antipatia inegável no espectador.
Ao invés de engajar, o filme provoca repulsa. O tom autoritário e o jeito de “sabe-tudo” de Cadu afastam a empatia que a mensagem ambiental poderia despertar.
Essa abordagem forçada intoxica a narrativa, como destaca a análise em Crítica por Caio Felipe.
Apesar do discurso da coletividade, o comportamento do ecochato aliena tanto os personagens quanto o público.
A insistência num modelo único de pensamento ambiental reforça o clichê de que pensar no ecossistema implica silêncio às demandas humanas.
Portanto, Cadu personifica o pior exemplo do discurso ecológico da obra. Ele execrado por ser incapaz de dialogar além da cartilha ecológica, escapando do papel de personagem para se tornar uma caricatura irritante.
Assim, “Perrengue Fashion” exemplifica como o apego a uma mensagem bonita e óbvia pode se transformar em um desgaste completo, reforçando o ditado do pior cego ser quem não quer ver os verdadeiros problemas da Amazônia e seus habitantes.
O Banho de Rio ao Pôr do Sol: A Amazônia como Cenário Fotogênico e Nada Mais
A cena final de “Perrengue Fashion” simboliza de forma exemplar a imagem que o filme propõe da Amazônia: um banho de rio ao pôr do sol que reforça a visão superficial da região como mero cenário fotogênico.
Assim, a Amazônia aparece reduzida a uma paisagem idealizada, desprovida de sua complexidade social, cultural e ambiental. O discurso bonito e consciente do longa contrasta fortemente com a ausência de um conteúdo mais profundo, reforçando a percepção da Amazônia como um destino turístico exótico para o público do Sul e Sudeste, sem efetiva compreensão dos desafios locais.
Essa escolha estética reforça o clichê que a vê apenas como “paraíso na Terra”, onde o contato com a natureza serve para render imagens bonitas e mensagens superficiais, longe das reais discussões sobre o meio ambiente e as populações locais. Apesar da boa intenção do filme, essa abordagem gera mais antipatia do que empatia, pois ignora a complexidade da região. É um retrato do pior cego sendo aquele que não quer ver: a Amazônia, tratada apenas como cenário decorativo, reafirma um olhar despreparado e reducionista, que pouco contribui para o debate sério e urgente sobre sua preservação e diversidade.
Conclusão
Sabe aquele ditado do pior cego ser aquele que não quer ver? “Perrengue Fashion” veste a carapuça de modo impecável.
O filme de Ingrid Guimarães aparece com todo o charme do discurso amigo da natureza e da defesa da raiz, mas repete, sem perceber (ou sem querer), todos os clichês históricos da Amazônia.
Essa comédia, que reduz a Amazônia a um simples cenário fotogênico, revela um descaso profundo com a riqueza cultural e humana da região, transformando seus moradores em meros figurantes enquanto coloca salvadores externos em destaque.
Portanto, é fundamental que você, fã de cinema e da cultura brasileira, ultrapasse essa narrativa simplista e reflita sobre a responsabilidade de enxergar além da boa vibração da tela.
Seu próximo passo: assista criticamente a “Perrengue Fashion” e compartilhe essa análise para ampliar o debate sobre representatividade e respeito à Amazônia.
Ao fazer isso, você contribui para um olhar mais consciente, evitando que clichês rasos continuem a colonizar nossa cultura audiovisual.
Como disse Guimarães em sua performance: é hora de parar de fingir não ver e começar a enxergar com verdade.
Que essa reflexão inspire novas produções que respeitem a complexidade e a voz dos povos amazônidas.
Para aprofundar seus conhecimentos, confira também as críticas de Caio Felipe sobre este tema.
Crítica por Caio Felipe: Perrengue Fashion une humor e Amazônia



